MONÓCULO

Monóculo 

Rio de Janeiro, anos 60, Getz/Gilberto a tocar num gira-discos. À volta de uma mesa a família Mendes revê as memórias que eternizou num monóculo, objeto fascinante que anos mais tarde se ia tornar uma espécie rara de memorabília. 

É a partir do universo brasileiro do final do século XX, com as paisagens de Roberto Burle Marx musicadas pela Bossa Nova, que Ana Mendes vai resgatando reminiscências dos tempos de infância e das referências da mãe que imediatamente se tornaram suas. Cuscuz é a materialização de tudo isso. 

Quando os caminhos de Ana Mendes e Matilde Cunha se cruzaram, tudo passou a fazer ainda mais sentido. Juntaram-se gostos, vontades e formas semelhantes de ver o Mundo. O design da Cuscuz e a fotografia de Matilde deram as mãos no primeiro encontro e não as voltaram a largar. 

Numa visita à casa de Ana, Matilde descobriu as memórias eternizadas em monóculos de plástico nos anos 60, hoje assumidamente essa espécie rara de memorabília que permite um encontro íntimo a três — uma pessoa, um monóculo, a luz. 

 

Monóculo surge de um fascínio pelo desconhecido e reúne memórias de um passado mais ou menos longínquo, com o traço sustentável da Cuscuz e um processo fotográfico (literalmente) positivo de Matilde Cunha. Em Portugal, no México ou em Espanha, as fotografias analógicas em 35 mm permitem uma viagem a lugares com rimas formais entre si, num caminho entre o óbvio e o irónico. 

Através de um objeto artístico cujo grau de intimidade com o utilizador permite questionar o pré-estabelecido, feito em madeira e acrílico reutilizados, Cuscuz e Matilde Cunha reforçam a ideia de que é preciso dar a ver melhor um futuro que se quer consciente.